Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
paredes brancas
as paredes brancas deste espaço lembram-me a psiquiatria onde um dia fui bater com os costados, acusado de "conduta imprópria". Tão "imprópria" devia ser que nem duvidaram da minha insanidade e de imediato afastaram a hipotese do chilindró. Directamente para os malucos, arrastar os tomates pelos bancos de madeira, gastos por anos de movimentos pendulares de corpos que imitiam sons monócordicos por bocas babosas. Enfiado num pijama às riscas, pelo menos 2 números acima do meu, metido nuns chinelos igualmente mastodonticos, arrastava-me pelos corredores de paredes brancas, cruzando-me aqui e ali, por personagens sinistras, metidas igualmente em pijamas-saco , que abanavam com os movimentos frenéticos de onanisticas actividades, libertando urros a cada convulsão mais violenta do corpo. Era um mundo interessante!
claudino
Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
Tradições..transmontanas.
Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Joaquim e Joaquina
Joaquim considerava a possibilidade de dar um tiro nos cornos. Pensava que as coisas estavam tão tortas que não valia a pena continuar esta vida de morto-vivo, sem qualquer tipo de interesse ou expectativa. Era um caminhar vagoroso para a morte, considerava, nas suas cogitações diárias. E assim era o dia a dia do nosso heroi, homem seco de carnes, e um rosto onde se advinhava os contornos do crâneo, como uma sombra da morte. Andava sempre cabisbaixo, olhos no chão, dobrado, como se transportasse um peso imenso nas costas.
Nesse dia fazia o costumeiro percurso entre casa e o trabalho, absorto nos seus pensamentos, vagoroso no meio da multidão frenética que ameaçava soterra-lo. Não se apercebeu que no sentido inverso caminhava, vazia e pesarosa, de costas dobradas e olhos pregados no chão, Joaquina, mulher triste e sorumbática... O desenlace era inevitável, como filme rasca, e o choque dos dois craneos marcados pela morte aconteceu em plena rua, libertando uma anergia imensa.
Morrem os dois, juntos e felizes, finalmente!
Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007
O circo e o resto
Espantoso! Uma eternidade passada no buraco e, mesmo assim, conservo na memória o user e psw desta espelunca! Talvez a vida ainda não tenha acabado para mim. Talvez haja ainda uma réstia de esperança, uma pequenina luz ao fundo do tunel! Se tenho memória para tanto, também serei capaz de outras habilidades cicrcenses, não? Dar cambalhotas e piroetas sobre uma corda de arame, sem me despenhar de fuças no chão; domar feras imensas sem perder a cabeça... Mas o que penso que podia fazer mesmo bem, era ser um palhaço de qualidade, daqueles que põem o estamago a doer, de tanto rir. Sim, com um narizinho vermelho e os sapatos da praxe, seria o rei do circo! A estrela internacional, de cinco pontas... Sim, palhaço é o mais indicado e não teria muito esforço!
Pronto, mas por agora, o circo terá de esperar até dias mais auspiciosos. Agora tenho de regressar à vidinha normal que deixei quando abandonei este sitio, há séculos atrás. Tenho de voltar a ser novamente senhor do meu nariz e dizer aos outros que me respeitem! Que me olhem nos olhos e me digam se eu não presto! E, se algum o ousar, desfazê-lo com umas valentes machadadas será a minha resposta! É assim o meu mundo, na selva. Sou o rei dos macacos, mas tenho de estar sempre preparado para alguma tentativa de tomada de poder! A traição esconde-se em cada rosto sorridente, um sorriso amarelo... é preciso estar sempre muito atento e ter sempre a machada por perto. ..
Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
Não há tempo
Então os meus amigos queixam-se de falta de tempo, hem... agora talvez compreendam o meu calvario. mas olha que ainda a procissão vai no atrio...
espero que estejam todos bem
picos da europa, hummmmmmmmmm.... parece muito interessante
que tal irmos lá tipo: depois mais um bocadinho e ir ter com o nosso amigo carlos... tipo entre paris e luxemburgo?
armando a miuda esta parecida com aquele teu vizinho... não? olha lá bem e ve-te ao espelho
àh é verdade: espero que tenhas passado o carro do meu pai, pai de cigano, lembras-te
abracinhos
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
...

Neste momento não tenho grande disponibilidade, e parte é culpa desta menina..
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
A nostalgia começa a atacar

Picos de Europa, algures em Agosto.
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
vamos lá, então, pelo futuro
Escrever para enriquecer as memórias futuras tem que se lhe diga… sempre se disse que o presente não existe, pois é de imediato passado. Mas que, além de passado, seja acima de tudo futuro é que é de facto interessante: passa a ser futuro passado, se registado... Que este momento aquilo que nele faça, ou não, seja parte do meu futuro porque o registo e, algures, surgirá da bruma do tempo, constituindo a memória do passado, não deixa de lhe atribuir um significado outro... e até uma responsabilidade considerável: pois não é que estou a actuar para o meu eu-futuro? Já houve uma altura em que mandei um mail ao meu eu-futuro. Num momento de terrivel ansiedade, em que tinha uma prova considerável pela frente, perguntava ao meu eu-futuro como me tinha saído: se ainda estava vivo ou se a coisa tinha sido tão desgraçada que preferira lançar os osso da ponte abaixo! Mas agora isto é uma actuação, um espectáculo: todos os dias subimos ao palco, prenhes de ansiedade de satisfazer esse público ausente, mas tão exigente – o nós-futuro!
Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
Meu ordinário amigo...
Se achas que esta coisa a que chamamos blog deve servir para memória futura e, por isso, devia ser assim a modos que um diário, digo-te que a coisa seria bem mal cheirosa! Se eu me pusesse a derramar para aqui toda a trampa que entope os meus neurónios, de certeza que a vizinhança não ia gostar, e ai tinhamos a ti coisa e o ti manel na TVI a protestar com o raio da porcaria que impestava o ar lá na terrinha. Até não sei se não seriamos acusados de efectuar descargas ilegais, poluindo rios e ribeiras, praias e albufeiras, deste jardim (de betão) junto ao mar plantado! É certo que, como norma, dai não adviriam grandes males, que delitos desses, em geral, não merecem punição cá no burgo - terra moderna, que protege a sua industria porqueira. Sim, podemos até ficar incólumes dos nossos crimes de lesa pátria, mas coitados dos desgraçados que, sabe-se lá porque razão, se vissem defronte de tão monumental monte de esterco!
A ver se assim

... descobrem onde foi tirada a foto da posta anterior...
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
nada há tanto tempo

este sitio é lugar de tristezas.
Vazio e poeirento
não há lixo novo há tanto tempo...
não há moscas que sobrevivam
se calhar mais vale fechar a lixeira...
Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007
...
Debicam ainda os ultimos grão de milho antes do fim-de-semana. As plumas começam lentamente a assentar no chão da capoeira, como pó que assenta depois da ventania
Mas suspeito que seja acalmia que pressagia a próxima tempestade... Segunda-feira falamos...
Bom, afinal não foi preciso esperar tanto: ainda lhes estava reservada uma surpresa! E, mais uma vez novas orientações, novas posturas (de ovos...), nova estratégia - delineada por mente tortuosa e doente, de certeza - chegou ainda antes da fuga das galinhas, deixando-lhes um nó no cérebro, para terem um fim de semana descansado...
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
...
O galinheiro está a chegar ao limite... A confusão só é suplantada pelo nível de cacarejo e pela nuvem de plumas que se avoluma no ar... As galinhas andam todas assarapantadas, de um lado para o outro, cacarejando sem cessar, perdidas, esbarrando contra a rede, sem fazerem ideia do que andam a fazer... O galo, lá do alto do seu poleiro, mantém-se calado e, penso, um pouco divertido com a galinácia confusão... Chegam cartas do exterior com instruções de outros galinheiros, que contrariam as supostamente acordadas, lançando mais achas para a fogueira que, lentamente, vai cozinhando as cabecinhas das pobres aves... De vez em quando, um cacarejo mais esganiçado revela que alguma se passou: de pernas pró ar, olhos esbugalhados, fixos em lado nehum, espumando do bico, esparramada no chão. Vêm outras e retiram-na, rápidas, com uma padiola...
Depois vêm alguns galos emplumados, de bico altaneiro, passeando a prosápia por entre as galinácias, que procuram conter o stress e comportar-se condignamente, para logo explodir em violentos rodopios, libertando penas e gritos, mal os big shots se afastam...
Isto está tudo fodido...
Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007
fossando
A pocilga estava estranhamante calma naquele dia de Verão. O calor apertava e o ar condicionado debalde deitava os bofes para o vencer. Estava um silêncio de morte; não se ouvia um ronco, uma focinhadela mais afoita no chão duro, uma ventusidade intestinal mais pronunciada. Nada! Até os mosquitos, sempre tão activos, pareciam dormitar, dando voltas languidas pelo ar, em longas trajectórias. Estava tudo nesta indolência, própria dos dias estivais, quando chegou um porco que, pela prosápia, devia ser um porco importante na nomenclatura da pocilga. Encavalitou-se num carro de mão que para ali estáva perdido num canto e, do alto de tão precário palanque, vociferou: está tudo a dormir, ou quê? Quero ver esses rabos pró ar e as fuças espetadas no chão! Fossem, seus porcos! A porcalhada, apanhada de surpresa, meio aparvalhada, deu um salto e lançou-se na fossadela pesada, que remédio.
Agora os roncos e os grunhidos enchiam a pocilga, num registo de actividade frenética. O porco importante apeou-se do provisório pedestal, saiu porta fora e mergulhou no sumptuoso Mercedes. Arrancou com um esgar de gozo no focinho.
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
TGV
Um texto que me foi enviado pelo Monge.
*Travar para pensar*
Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.
Comprado o bilhete,dei comigo num comboio que só se diferenciava dos
nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio
aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de
vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica
e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos,
emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.
Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes
recursos resultantes da substantiva criação de riqueza .
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu
Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e
jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de
apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios
de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de
pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia
dúzia de multinacionais,
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental,
extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de
viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que
fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com
pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que
não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros
países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um
investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer
repercussão na economia do País.
Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não
financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias
gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira,
o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e
Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil
obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais
mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil
centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).
Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em
muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a
degradada rede viária secundária.
CABE ao Governo REFLECTIR.
CABE à Oposição CONTRAPOR.
CABE AOS CIDADÃOS MANIFESTAREM-SE!!!
CABE À TUA CONSCIÊNCIA REENCAMINHAR OU DEIXAR FICAR.
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
imagens estivais atrasadas

tomem lá um pouco de los picos de europa.